Acabo de descobrir que há uma nova versão (ou continuação) do Star Wars Turco. Os efeitos estão melhores do que o filme de 1982 e não aparece nenhuma imagem “emprestada” pelo George Lucas. O detalhe mais emocionante disso é que o nosso herói está mais velho, de cabelos brancos, mas com a mesma precisão e potência nos seus golpes.
Já estou atrás de algum DVD, torrent ou coisa parecida para trazer para este blog uma resenha completa desta nova e emocionante aventura intergalática.
Resumir a coisa grotesca que é COOL AS ICE em uma linha é muito fácil: trata-se de um filme estrelado por Vanilla Ice. Sim, para surpresa - e calafrios - de muitos, o rapper branco que assombrou as paradas no início dos anos 90 aproveitou o sucesso da época para se atrever a entrar no mercado cinematográfico. E, caceta, nada contra rappers brancos no cinema (Eminem saiu-se surpreendentemente bem em 8 Mile), mas esse COOL AS ICE é caso de polícia.
A história de COOL AS ICE basicamente fala sobre um rapper bad boy metido a gostoso (quem será?) que tenta conquistar uma garota correta e é atrapalhado pelo namorado da moça, um bunda-mole que só veste camisas pólo. Há tramas paralelas aqui e ali, mas que de tão irrelevantes nem merecem ser mencionadas. Afinal, aqui, como em qualquer filme "de celebridade", todas as fichas são apostadas no carisma de Vanilla Ice, a grande estrela da festa. E quando a principal atração de qualquer coisa que seja atende pelo nome de Vanilla Ice, mãe do céu, é bom ir preparado.
É difícil apontar os defeitos de COOL AS ICE sem botar as mãos na cabeça de tanto pavor. O fato de o filme se passar numa época onde o mau gosto estético imperava ajuda, e muito, nisso. Os cenários e figurinos são tão coloridos e estapafúrdios que é duro imaginar alguém da produção entrando no estúdio sem ter uma convulsão. Os números musicais não fazem qualquer sentido, sendo que um tem uma participação absurda de Naomi Campbell e outro mostra Vanilla Ice brincando de esconder (ou algo parecido) com sua garota em uma construção no deserto (?!?). E já que falamos nele, o herói do filme, além de apresentar o corte de cabelo mais ridículo desde a invenção da tesoura (com exceção, talvez, para Maurício, ex-atacante da dupla Gre-Nal nos anos 80 e 90), é também um completo imbecil. Isso causa um esquisito efeito inverso: em vez de torcer por Vanilla Ice, tu passa o tempo todo rezando para que ele seja metralhado ou carbonizado, o que obviamente não acontece. Fechando com chave de latão, a garota do filme usa ceroulas por baixo do vestido curto durante a fita inteira. Sem comentários.
Em resumo, COOL AS ICE esguicha ruindade. É daqueles filmes pra juntar gente e assistir gritando "BUUUUUUU", jogando cerveja na TV. Não satisfeito, também em 1991, Vanilla Ice fez uma ponta em TARTARUGAS NINJA 2 - O SEGREDO DE OOZE. Anos depois, virou cantor de new metal, para em seguida chafurdar no poço do fracasso. Com tantas escolhas burras, não dava pra esperar mais do que isso mesmo.
Título: Cool As Ice
Ano: 1991
Diretor: David Kellogg
País: EUA Elenco: Vanilla Ice, Kristin Minter, Deezer D, John Newton, Michael Gross, Naomi Campbell e mais um bando de infelizes
Onde encontrar: Em VHS, na amazon.com ou em locadoras mais antigas.
Pat Morita é um daqueles heróis que nunca perde o ar sereno e tranqüilo. Seja tentando treinar a anta do Ralf Machio ou enfrentando uma cobra de 10 metros de comprimento, ele sempre encara os piores desafios com aqueles olhinhos de quem está prestes a tirar uma soneca.
Em King Cobra, ele faz o papel de um especialista em cobras que se mete a capturar uma serpente mutante. Claro que eles poderiam explodir a cobra com uma granada ou com um tiro de 12 no meio da cara, mas aí o filme teria apenas 20 minutos. Então, eles decidem capturar, da forma mais complicada possível, este animal que possui um instinto mais assassino que do Arnold Shwartzenegger em “Comando para Matar”.
Depois que a sucuri mata mais ou menos metade do elenco, incluindo umas vacas e cachorros, os persoangens principais constroem uma gaiola para capturar o réptil. O problema é que a cobra é criada e não cai no truque deles. Ela escapa da gaiola e vai, puta da cara, para cima dos últimos sobreviventes do filme. Num ato de incrível estupidez, Pat Morita encara a jibóia e leva várias dentadas. Só que não é qualquer veneninho que vai derrubar o nosso Pat. Somente depois da sexta ou sétima mordida, é que ele começa a ficar meio grogue. Detalhe: os dentes da cobra têm 20 cm de comprimento o que já mataria qualquer um sem precisar de veneno. No fim, Pat consegue prender a jararaca gigante. Mas como em todo bom filme de terror, algo sugere que teremos uma continuação.
Título: KingCobra Ano: 1999 Diretor: David Hillenbrand País: EUA Elenco: Pat Morita, Scott Hillenbrand, Casey Fallo, Hoyt Axton e Joseph Ruskin. Onde encontrar: Comprei uma fita numa loja Tudo Por R$ 1,99 em Porto Alegre, mas acredito que as boas locadoras têm cópias para alugar.
Uma equipe de resgate é enviada para encontrar um grupo de pesquisadores desaparecidos na Selva Amazônica. A missão dos pesquisadores era ir até lá para mostrar ao mundo que ainda existe seres humanos que nunca tiveram contato com a civilização. Resumindo: na ótica de um estudante de antropologia do 2º semestre, eles foram estragar a vida dos últimos indígenas livres das mazelas do homem branco. Mas antes de encontrar qualquer evidência sobre os desaparecidos, os soldados do grupo de resgate presenciam um estupro, que parece uma espécie de banheira do Gugu na lama até a parte em que o índio enfia uma bola de espinhos no útero de uma mulher. E isso é só o começo. O diretor do filme deixa bem claro que existe uma tribo de índios bons e uma de índios maus, estes últimos têm por hábito empalar índias adúlteras às margens dos rios amazônicos. Já os índios bons nem precisam castigar as índias que são pegas com a mão na massa (mais especificamente no pene). Elas mesmas se castigam, correndo nuas pela selva(!).
Então, vem a grande revelação. Eles encontram o rolo de filme dos pesquisadores e é aí que vem a grande lição de moral. Os vulgos cientistas, os iluminados pelo conhecimento acadêmico, os ditos seres racionais acabam fazendo o que o homem branco sempre fez desde Cristóvão Colombo: comeram as índias. De dois. E à força.
A partir daí, uma mistura de poesia e chacina toma conta do filme. Brancos matam índios. Índios comem as tripas dos brancos. Só faltou queimarem um índio numa parada de ônibus. E eles filmam tudo, sem parar. Tudo isso sob uma trilha sonora de fazer até um bandeirante sanguinário chorar de emoção.
Depois de ver o remake desse filme, eu corri para ver o original, de 1977, pois gostei muito do que eu vi. Só que a versão original acabou sendo mais engraçada do que assustadora. Não sei se isso se deve à intenção do diretor do original em fazer um filme de terror com momentos engraçados ou ao anacronismo de ver um filme de terror com quase 30 anos de idade.
Veja uma cena que exemplifica a questão. O personagem que aparece é, supostamente, o herói do filme:
Título: The Hills Have Eyes
Ano: 1977
Diretor:Wes Craven
País: EUA Elenco: Robert Houston, Martin Speer, Dee Wallace Stone, Rus Grieve, John Steadman.
Onde encontrar: E-mule ou nas locadoras especializadas.
No Brasil, o original de 77 tem o nome Quadrilha de Sádicos e o remake atende por Viagem Maldita.
Este filme faz uma das referências mais bizarras à II Guerra Mundial. A história gira em torno de um ambicioso ex-general alemão que procura um tesouro que foi sepultado junto com seus guardiões nazistas. O que dá o toque de gênio ao roteiro é a explicação do por quê até hoje ninguém encontrou o local do tesouro. Foi assim: quando as tropas alemãs levavam quilos e mais quilos de ouro para o füher, um grupo de aliados metralhou toda turma numa emboscada. A briga foi tão feia que só sobrou um soldado vivo. Porém, ele estava ferido e acabou sendo resgatado por uns beduínos, jurando nunca revelar o que ele estava fazendo ali no meio do deserto. O general (ambicioso) descobre o sobrevivente e finalmente o mata depois de pegar o mapa do tesouro. Só que um mapa não resolve tudo quando se trata de enfrentar zumbis com minhocas na cara. Ele se dá mal e é aí que entra a turma dos jovens responsáveis pelas cenas gratuitas de sexo sem compromisso enquanto seus amigos são devorados por zumbis. As cenas dos zumbis devorando as pessoas é algo que lembra muito o ataque das piranhas assassinas, só que em câmera lenta. E tudo isso se passa num lugar indeterminado onde as pessoas falam espanhol sem a menor sincronia labial. A boa notícia em relação a este filme é que ele dura somente 85 minutos.
Título: La Tumba de los Muertos Vivientes
Ano: 1983
Diretor: Jesus Franco
País: Espanha Elenco: Manuel Gélin, Eduardo Fajardo, Lina Romay, Antonio Mayans e Javier Maiza.
Façamos uma viagem no tempo até o verão de 2003. Lembro direitinho do dia em que abri o jornal e me deparei com uma notícia no mínimo esquisita: um diretor de cinema belga chamado Charles Nizet havia sido assassinado ns cidade de Flores da Cunha por motivos obscuros - a reportagem dizia que ele estava tentando juntar grana e patrocínio para abrir um parque de diversões, se não me engano.
Bem, a história seria suficientemente bizarra se fosse só isso, mas a Zero Hora completou e colocou fotos de dois cartazes de filmes de terror dirigidos pelo cara nos Estados Unidos. Saquem os títulos: HELP ME, I´M POSSESSED e VOODOO HEARTBEAT. Os nomes eram geniais. Os posters, mais ainda. E estava instituída aí o que talvez seja a maior curiosidade cinematográfica-obscura da minha vida: o cinema de Charles Nizet. Já li alguma coisa sobre as fitas e, ao que parece, o cara era muito, muito ruim. Alguns diretores compensam a falta de grana com criatividade e inovação, mas não devia ser o caso de Nizet. Enfim, lixo ou não, o estrago estava feito, e até hoje tou aqui MORRENDO pra ver os tais filmes que aparentemente NENHUM colecionador do Brasil tem e que NUNCA saíram em DVD em lugar algum do mundo. O pior é que o sujeito também fez filme de guerra e outras tranqueiras fora do terror, e isso só agrava minha curiosidade.
Vamos de novo: filmes de terror obscuros e perdidos no tempo, dirigidos por um diretor com jeito de picareta que foi ASSASSINADO EM FLORES DA CUNHA ao NEGOCIAR DINHEIRO para abrir UM PARQUE DE DIVERSÕES. Sejamos realistas, senhores, isso não tem como ser menos do que genial. Dou um carro* para quem me conseguir os filmes de Charles Nizet.
Ontem eu me dei conta de que nem todo filme trash é sinônimo de pouca verba. As duas produções que me provaram isso foram Shaolin Soccer e Kung-Fu Hustle. Não vou entrar em muitos detalhes sobre as histórias, pois boa parte da graça é o espanto de ver muito dinheiro em pouco roteiro. O criador destas duas obras-primas é Stephen Chow que também faz o papel principal em ambos os filmes.
O primeiro filme é mais tosco que o segundo porque mistura kung-fu com futebol com uma quantidade absurda de efeitos especiais. Os efeitos são aparentemente desnecessários, mas, de tão exagerados, acabam fazendo o filme ficar ainda mais engraçado. O segundo disfarça o humor ingênuo, típico dos orientais, com uma história fantasiosa de uma disputa de poderes entre os moradores de um cortiço. Não preciso dizer que cada morador do cortiço tem um dom especial para lutar kung-fu. Entre muitas referências à série de filmes Matrix e personagens bizarros, ambos os filmes são excelentes para quem gosta do gênero ou de produções com muitos efeitos especiais.
Consegui uma brecha na quinta passada para dar um pulo até o Cinemark do glorioso Canoas Shoppíng. O motivo: um filme de terror chamado "Seres Rastejantes", que, além de ter sido recomendado por pelo menos dois amigos de gosto confiável para fitas do gênero, tinha algumas credenciais apetitosas no currículo. A primeira é que o diretor do filme, um cara chamado James Gunn, é o responsável pelo roteiro da ótima refilmagem de "Dawn of the Dead", "Madrugada dos Mortos", além de ter escrito pérolas da Troma como "Tromeo & Juliet", uma versão trash do clássico de Shakespeare, com uma penca de violência gratuita e peitos de fora. A segunda é que Michael Rooker está no filme, e ele foi um dos melhores e mais assustadores psicopatas da história do cinema, o demente Henry de "Retrato de um Assassino", o que faz com que qualquer trabalho dele mereça uma atenção especial. Por fim, e não menos importante, Rubens Ewald Filho falou mal pra cacete de "Seres Rastejantes", o que é um atestado de que o filme é NO MÍNIMO muito legal - como acontece em todas as vezes que ele escreve sobre fitas de terror.
Tudo indicava que eu teria um belo de um programa pruma quinta à noite, mas a casa caiu quando cheguei lá e o Cinemark havia CANCELADO a sessão das 21h50, porque a sessão anterior, das 19 e pouco, não havia vendido um mísero ingresso. Porra, que sacanagem. Se serve de consolo, vi lá o belo poster do filme, com um monte de lesmas saindo de uma banheira, o que me lembrou muito o "Calafrios" do Cronenberg. No dia seguinte, "Seres Rastejantes" saiu de cartaz, e agora vou ter que esperar sair em DVD nas locadoras. Lamentável.
Este blog não é um
fã-clube. É um lugar para falar de filmes que
não são indicados nas locadores, de filmes que
não tiveram o reconhecimento da chamada
“crítica
especializada”. Queremos levar ao grande
público as obras que poucos tiveram a
sorte de ver. Estamos falando das produções
feitas por quem tem o dom de sublimar a poesia da arte narrativa dentro
do espectro multicultural da volatilidade no sentido
artístico do cinema, seja lá o que isso
signifique. Em outras palavras (e como o título
já diz) nós vamos provar que o
Kevin Bacon poderia ganhar um Oscar.